terça-feira, 16 de agosto de 2016

Once Upon a Time in Alentejo

Esta coisa das falhas graves, permite que ocasionalmente, aconteçam enormes momentos de cinema numa insuspeita rua alentejana. Enormes momentos de cinema, hoje, coisa tão escassa como bebés n' Os Filhos do Homem. É isso é, nunca tinha visto Once Upon a Time in America. Já vi. E o mais incrível, no meio de todas as outras inacreditáveis conquistas que a história consegue, é aquele plano. Aquele, que eu, por viver já tinha visto centenas de vezes, das mais diversas e coloridas formas, e mesmo assim me tirou o ar. Meia dúzia de segundos, que me disseram que agora sim, que eu nunca o tinha conhecido, que nunca tinha vivido nada assim. O mais pequenito a saltitar à frente, e o andar, atrás, dos outros, com tudo a ganhar e conquistar, como se aquela ponte escondesse o mundo, ou o reflectisse. E quem nem um quadro nos desse toda a esperança que falta.

Apesar de não ser o filme português mais visto de sempre na primeira semana de julho é um filme bastante simpático

Apesar de nos ter sido oferecida num embrulho envenenado - trilogia dos remakes - esta canção, cedo se destacou das outras, e sejamos sinceros, não precisava das outras para nada. Seja por um trailer articulado, de corpo inteiro, seja pela inteligência da música, a apresentar a comédia, o romance. Não é novo mas resulta. Porque afinal. Porque afinal não tem de ser o Manuel Marques a fazer de mongolóide e a Dânia Neto com as mamas de fora, naquela portuguesice dos malucos do riso, da pura caricatura a preto e branco, com "piadas" vazias, a precisar de fundo para sabermos: ah então é aqui que os cantos da boca se elevam rumo às bochechas! A Canção de Lisboa limpa o que está a mais, traz o que está a menos, e constrói uma série de bonecos que não ofendem, melhor, que entretêm. Obviamente, não se foge do simplismo narrativo do domingo à tarde, da fantasia romântica, não há aquele salto - às vezes não tão difícil - para algo mais cheio. Ainda assim Luana Martau enche qualquer coração e com um César Mourão à altura deixam em dueto uma audiência satisfeita, com as personagens a festejar connosco, já do lado de cá, a dizer depois adeus, porque afinal o mundo é feliz.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Os rebeldes somos nós

As refilmagens foderam isto tudo. Podem vir com: tem lá calma, nem sabes o que foi filmado de novo, nem sabes o que mudou, se calhar está bem bom. Não está, e como é que eu sei, sei porque este último trailer parece daqueles trailers que se faz do género "e se o Star Wars fosse uma comédia dos irmãos Farrelly", e muda-se tudo, e fica às vezes engraçado. Nunca, são sempre montagens de merda. Mas percebem a ideia. Do primeiro teaser, dum claro negrume, com frases certas, com belos planos, com belas presenças, passamos para um recauchutamento que mete em loop a música do Awakens, variações em ré menor, diálogos de pacotilha - com aquelas que prometem ser as piores escolhas de casting de sempre do universo - fugas de nave iguais às outras, menos planos da água, um frame de Mendelsohn - que nem tem direito a uma fala (???) - uma sinopse que se reduz ao que já sabíamos e no final a mama do costume. Darth Vader a bater uma no Red District. A sério amigos? Estão tão desesperados que têm de descredibilizar por completo qualquer directriz criativa, qualquer vontade nova e cair nos mesmos engodos de fã. É feio, é triste. É olhar para uma indústria que se apelida como a tal arma de destruição maciça, é ela a real Estrela da Morte, que consome tudo o que tínhamos, referências, heróis, saudades, suspiros, aventuras, sonhos, tudo dentro desta misturadora de plástico, de lixo. É olhar sem força, porque os rebeldes somos nós, e nós malta, estamos claramente a perder.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Se houver quinto já não sei classificar

Só viste agora? Só. Sei lá derivado de que hecatombe. Mas já está tudo bem, ainda para mais é daquelas malhas sequela fácil de classificar com base na regra do "quarto superlativo porém inferior" que diz que: o quatro é melhor que o três, é mais ou menos idêntico ao dois mas é inferior ao primeiro. [REC] 4: Apocalipsis, é isso. E tem ainda o motor de um barco para foder zombies, o que por si só é um upgrade digno de um belo e gordo aplauso.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Voltar a Dublin

Sing Street é o meu favorito de 2016. Mas ainda falta tanto, dizem os hipsters do Restelo e os chatos do Caralho. Falta, esta chouriça final de verão, depois dois meses com mais uns anestésicos, entra natal, família, dobragens em português, vomitar arroz pelo nariz, alguns filmes dos óscares. Ah e claro o Papagaio diz sempre tuk tok tik, filme da Polinésia Francesa vencedor dos festivais de annes, erlim, carno, neza, tesa, e afins, melhor do ano para o trio do Público. Estão a ver, falta nada ou pouco, e mesmo que faltasse, Carney volta a casa para nos lembrar de que é feito tudo, e de como se faz tudo. Os seus filmes sem mistérios, são pautas, que se vão soltando e é a necessidade que faz a diferença: não vive das canções, vive-se nelas, construindo em cima delas, degrau a degrau. Num incrível e sensível bom gosto, de época, de cor e coração, como se acreditar nunca fosse excesso. A música e o cinema em perfeita simbiose, moldando-se nas suas ideias, na destemida ideia de que podemos criar para amar, para dedicar. Aquele adeus do irmão, aquela festa, é possivelmente dos momentos mais bonitos que o cinema recente me ofereceu. Absolutamente imperdível.

O Villeneuve vai sci-fi

Acalmem-me por favor.

O 120º filme de Samuel L. Jackson

Nada a acrescentar às palavras do mestre. Para lá do inofensivo de facto. Apenas que o final não é apressado, o final é um daqueles casos em que o guião ficou na cadeira, à mão de uma cabra, guaxinim, aye aye, ou uma merda qualquer que comeu 30 páginas, sem dó nem piedade. De modos a que quando o Tarzan lá chega é só duas bofetada e depois temos logo é de ser todos amigos com os animais. Porque amigos destes não são demais na vida. Que vêm aqui mostrar.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Turtudo

Nem sei como apelidar, porém é de facto categoria própria, a dos bravos que desaparecem. Vão flutuando, em graçolas que nada abonam, que não fazem jus, ou então simplesmente adormecemos suas presenças. Até aquele dia, em que percebemos de novo. Em que a câmara percebe. E não larga mais. John Turturro é uma sala, faz uma sala, e voltar a perceber isso devia ser luz obrigatória. Currículos escolares e tudo. Aquela presença que só com corpo e rugas faz metade. O seu momento em The Night Of - um policial cada vez mais interessante da HBO - é um capítulo inesquecível na história dos papelaços, na história dos detetives, na história da televisão, caralho, até na história da podologia. Caso para dizer que quem tem Turturro tem tudo.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Pesadelo em Flanagan Street

Se estão com dificuldades em convencer a chavala basta dizer que tem o puto do Room. A fofice e ternura abafam qualquer preconceito em relação ao género. Ainda para mais com borboletas. É nova vitória do Flanagan, que me agradou especialmente pelo seu lado retorcido: a adopção e depois o uso da mesma - e da tal habilidade - para recuar. É seguir em frente sentado, quieto, o ciclo imperdoável do luto. A doença na mãe, em querer repetir uma e outra vez, dorme, dorme. Tinha de correr mal e depois o filme segue esse caminho, dos monstros, explicando em excesso mas fechando em sonho. Pois são deles que falamos e é deles que às vezes não saímos.

A baixa diversidade da imaginação

Primeiro uma grande caralhada. É o meu The Rocketeer foda-se, vi-o em Santarém num cinema a sério. Qualquer filme, visto num cinema a sério, antes dos 12, merece respeito, todo o respeito. Não há. Segundo, depois de bolsar as fuças do reboot, é esta necessidade americanóide, cada vez mais ridícula e refém do ridículo, de fincar a "diversidade". De fazer "isso" notícia, ou bandeira, em tudo, mesmo quando nada faz sentido. Sejam as mulheres, os negros, ou agora ambos. A martelo, fora de sítio, fora de tempo. Para americano ver, reformulando figuras, sem a imaginação urgente de criar figuras novas.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Há uma cena inacreditável com um carro cheio de luzes

Quando abri o meu coração a The Collector e The Collection, jurei não mais amar outra sequela improvável. Outra saga destemida no universo do medinho. E tudo estava bem, The Purge, o primeiro, é uma bela merda. Tem a Cersei, mas é uma bela merda. Nada fazia antever uma sequela cheia de ganas com um cabrão mais rijo que aquele brinquedo verde tropa que eu dou ao meu cão. Fiquei fã, e agora com The Purge: Election Year, arrisco-me a dizer que estamos perante a trilogia de terror mais audaz desde a trilogia de terror mais audaz antes desta, que não sei bem qual é. Isto porque não se prende ao mais do mesmo, ou mais do mesmo noutra perspectiva, ou mais do mesmo com um twist. Não, vai-se expandindo, como um balão, explorando as oportunidades e as necessidades, tão presente e importante. Tão irónico mas tão vivo, tão refém das soluções que nos conduzem às mesmas respostas, em ciclo. Ano de eleições, nada é inocente. E podia até tentar uma gracinha para um possível seguimento, mas não. Cumpre o que promete, quem vier a seguir, se quiser, que faça merda.

Especial


Trailer Reaction Split

Trailer reaction, por escrito. Sempre na crista da inovação hipster atiro-me de cabeça a este formato, que me parece bem mais interessante do que olhar para uns balofos gordurosos a atingirem decibéis não explicados pela ciência. Assim, vou rabiscando a minha reação ao trailer do novo Shyamalan, Split.

PLAY
(antes de começar dizer que este título me faz lembra o Splice, que é um filme curtido com aquela loira que amo mas agora não sei o nome)

00:02 - Mete estacionamento. Gosto sempre dum bom estacionamento.
00:08 - Compras, caixinha de música, vai dar merda.
00:12 - Teenagers, mais que duas, vai dar merda de certeza.
00:18 - O Professor Xavier está no banco da frente.
00:22 - Merda.
00:32 - Prendeu as pitas numa masmorra tipo a do Hannibal.
00:37 - Hamster.
00:45 - Flores em várias divisões. Até agora estou a gostar.
00:49 - Vai haver motim. Está a ser tipo o 10 Cloverfield Lane mas a triplicar.
01:00 - Está de saias mas de carecas à mesma, creepy.
01:10 - Do cavalheiro que nos trouxe todos os filmes menos aqueles que não tiveram sucesso nenhum.
01: 26 - 23 a morar lá dentro, crossover entre o filme do Jim Carrey e o outro do Cusack.
01:40 - Está na onda do The Visit, apertadinho. Continuo a gostar.
01:50 - The Beast, oh sim. Um clássico.
01:58 - Fujam caralho!
02:04 - Mete metro, iupi!
02:10 - Mete veado morto, iupi a dobrar!
02:20 - Título, depois de dizerem que a besta era verdadeira. Ai ai!
02:27 - Convencido.

03:00 - Ainda por cima com a gaiata do The Witch, percebi isso agora. Oh Shyamalan dá cá um beijo na boca!

terça-feira, 26 de julho de 2016

Agora estás a ver-me, versão eu tenho dois amores

Fui ver o filme dos mágicos. O dois. Nascida daqueles raros casos já não tão raros, que começam a parecer sarampo: pequenino que faz muito dinheiro tem sequela grande, ou que parece grande, ou que se transforma numa franchise. Assim foi. Enfim, tanto filme a precisar de sequela - Super Mario, Willow, todos os descritos neste incrível episódio das Nalgas, etc - e temos de andar nós a lamber este alcatrão. Mas pronto, o que mais me marcou foi ficar na dúvida:  Isla Fisher ou Lizzy Caplan?

O do Rei Artur ainda nem vi

Resumo breve dos trailers da Comic Con: bueeiinhaaaauuuuuhhhhhh. É o som de vómito, a sair entre os dedos enquanto tento tapar a boca. A Gal Gadot é muita boa mas não há nenhum plano dela com o pernil aberto. Como este. Vou ver outra vez. Depois é igual ao primeiro Capitão América, mas tem o Capitão Kirk. Não há mais ninguém? Eu nessa altura até podia. Liga da Justiça, estou a juntar um grupo de malta. Foda-se, não chega já? Qualquer dia junto um grupo de podcasters para combater uns vloggers maus, só naquela. Depois foi o macaco, cada vez maior. Com um ar porreiro de Vietname e com a minha Brie Larson. O cabrão do macaco está mesmo grande. Pode ser porreiro. Não, fui confirmar agora que é realizado por um gajo indie de barbas (na foto). Tudo fodido. O Dr. Strange é Inception a pinar com o Jumper e o Harry Potter não tem o Harry Potter. Depois descobri que o filme de terror mais promissor de sempre deste ano é afinal o Blair Witch 2. Mas isso foi na Comic Con? Sei lá. O que eu sei é que dói, e muito.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Nada estranho

E agora, depois do mais bonito poster que esta dupla de cones e bastonetes teve o prazer de lamber no ano de 2016, seguimos para o dito. Já muito foi de facto dito, e mais virá. Testarão até todos os episódios em avançadas instalações de ciência, com aceleradores de partículas e cientistas sem banho tomado. Por isso serei pequenito no salto. Mas só de falar pouco já me apetece falar muito, sintoma da nostalgia imediata. Isso é logo o embate. Stranger Things é muito específico no seu alvo. E usa a plataforma mais moderna e audaz para o fazer. Irónico. Um tempo que nos oferece tudo para uma audiência que só se quer lembrar do tempo em que não tinha nada. Era necessário pedalar, procurar, os tesouros. O cheiro dos tesouros, das cassetes, das caves ou das tardes, dos recortes ou revistas. Irónico também surgir no mesmo ano de X-Files, que tentou ressuscitar algo, e saiu furado. Merda, mesmo merda. Porque não é fácil, parece muito, o Tarantino fá-lo de olhos fechados, mas é o mais difícil no entretenimento corrente, seja ele novo, inspirado, requentado. É preciso, em primeiro lugar, contar uma história. Depois torná-la única. Por último torná-la nossa. 1, 2, 3. Só isto. Mas então, ou fogem pelo facilitismo e ilusão de que o nome chega ou caem em questões abertas, muitas, misteriosas, ui, como se coçar a cabeça para sempre fosse equivalente a qualquer decisão. Muito vago, o vago está na moda quando se tem medo de ser Stranger Things. 1, 2, 3. Resultou. Uma história, com princípio, meio e fim - venha agora o que vier - muito simples no seu núcleo, nas suas personagens e modo como elas se tocam, muito caloroso para elas, muito cuidado. Nada ao acaso, os carinhos, os laços. Entrelaçados com tantas referências que precisaríamos de espaço, de um barco maior, mas que no seu conjunto oferecem algo absolutamente genuíno, com as luzes de natal e o mundo invertido, com um novo grupo, um novo grupo de putos foda-se. E o final, o 3, o mais importante. Encher-nos este coração desistente. Fazer-nos de novo contar com eles, fazer-nos goonies, de bicla, e porra que payoff do caralho, com a Eleven a espetar aquele merdas contra a parede, no balanço da pequena fisga. Emocionou aqui o grandalhão como há muito nada emocionava. E por isso, pela simplicidade, irreverência e peito cheio, não é de estranhar que esteja aqui a série do ano.

[nota, natalícia]

Este poster, num tamanho qualquer. Já. É só em dezembro foda-se. Mas pronto, este poster, sim, sim.

Nas Nalgas do Mandarim [Comic-Con 2016]

O painel das Nalgas, na Comic Con de San Diego foi um enorme sucesso. A primeira fila estava quase cheia, aliás cheia, se contarmos que a gorda da ponta valia por dois. Apoteose com a entrada dos três génios do podcast luso, mas em especial com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa que decidiu ali condecorar e dizer que o episódio sobre moda foi uma bela merda. Ganda President. Depois muitas novidades. Algumas vá. Foi só um teaser, da temporada 4, que vai ter 1460 episódios, porque vai ser todos os dias. Ao longo de 4 anos, já lhe chamam o Boyhood dos podcasts. "Mas haverá assim tanto para falar de cinema todos os dias?", perguntou o meu irmão que estava no público. Falar de cinema maninho, então, por quem nos tomas?

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Não sou eu que sou baladeiro, vocês é que têm mel nos ouvidos

Mas como é que a Paula Patton, com aquelas dentolas vampiras invertidas, ainda consegue mamar o Ragnar na boca e nenhum dos dois se aleijar? Isto sim, dá que pensar. Agora o resto, do Fel, que é uma merda que controla tudo e ninguém sabe porquê, e controla a história toda e ninguém sabe porquê também, isso, não interessa para nada. Não sejam implicativos.

É hoje

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Ele chama

Disseram assim: dá para fazer aquela merda do Spielberg mas em bom? Ao que o Bayona respondeu, dá sim senhor. E pode ser colagem de tantas outras viagens, das crianças e suas coisas selvagens, seus labirintos e gigantes, mas este monstro é possivelmente a coisa mais bonita que vamos ver este ano. Pelo menos a palete que aqui serve de aperitivo. Incrível.

terça-feira, 12 de julho de 2016

O Flash só com gajas

Ainda não vos confessei que mamei dois filmes de gaja. E prometemos no início de tudo isto que seríamos sempre sinceros. Então vá. Foi a idade da Adelina e o filme da outra menos gorda que a gorda gorda. A Adelina é complicado, ela está sempre bué da linda, nunca fica velhinha e depois tem medo de traçar grandes bonzarrões. Isto porque levou com um raio, como o Flash. E sabe muita merda, porque já tem muita idade. E é domingo à tarde, logo depois de almoço. O outro é duma chavala que só quer é pinar sem compromisso e depois meio que se apaixona. E aqui tenho de dar alguma coisa a torcer, até pode ser o braço: há algo de muito mais sincero e inteligente nesta última incursão do Apatow pela comédia. Sempre muito refém das pilas, dos ganzados, da casa dos pais, aqui pega no pai e dá-lhe um corpo. Reais relações a entremear um conjunto quase certeiro de piadas. E ela tenta pinar o puto que vai ser o novo Flash. Vai tudo sempre dar ao Flash.

Análise exageradamente curta ao primeiro episódio de The Night Of

Estava à espera de melhor mas vou continuar a ver.

Ui, pronto, já foste

Prefiro o Eden Lake, dentro do género de pincéis fodidos de fugir. Com nativos ainda mais fodidos de gramar. Mas este Green Room, sucessor do desidratado Blue Ruin, é seco tal e qual, na medida em que as coisas simplesmente acontecem, e estamos à espera delas. Do momento do não retorno, da escalada, sempre a pensar "mas se calhar ainda dava". Não dá nada, são buracos, arrepiantes, que aqui se constroem. Este mete metal, cães e tripas. Tem também o avô Xavier em modo vilão do ano. De olho neste gajo.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

La perfidia de tu amor

Escolher o Volume favorito e tentar depois desconstruir essa decisão, é uma pequena delícia de nata. Uma bola, cheia de creme, lambuzada no seu já descontrolado recheio. Porque montar tamanha obra prima tem muito que se lhe diga. A unidade, ordem, narrativa. Existirá? Ou será um maravilhoso exercício de espectador este de: o meu é o terceiro,  talvez porque precisasse de respirar depois dos outros dois, de terminar em plena fábula, com Xerazade ou com os tentilhões, os bastiões da evolução, ali na Musgueira, no pequeno mundo, com tanto de cinema que nos esquecemos onde acabamos e onde começa o "corta". Se tivesse entrado por aqui, seria este o meu voto? Terminar no inquieto, iria-me deixar menos encantado? Mais desolado? Quem sabe. Estamos cá para trocar, para alertar, divulgar. Nos apaixonar todos os dias por Crista Alfaiate e depois continuar a cantar Perfidia, até que os sonhos nos doam.

Beicinho beição


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Dois parágrafos sobre dois trailers que acabei de ver


Table 19 - esta merda parece o The Breakfast Club dos casamentos. E tem a Anna Kendrick. Atenção eu gosto da Anna Kendrick, mas ela depois dança sempre e faz aquele ar de sonsa feinha, viva a vida. No final acaba a foder com o desconhecido charmoso bonzarrão da vida dela tipo genial inteligente e divertido. Sempre. Depois nada discretos: uma velha, um preto, um indiano, o Stephen Merchant. Só falta mesmo uma estrela velha do Friends por exemplo. Ah espera.
Blood Father - esta merda parece o Taken versão últimos dez filmes que o Mel Gibson só sabe fazer. Como aquele do Gringo, ou o outro em que também lhe matam a cahopa. Vingança, pai ausente, deserto, mexicanos, cartéis, grande erro filhos da puta. É só assim o Mad Max que vocês chatearam. E ele está piurço, barba por fazer, mas ainda muito por fazer. Volta lá à cidade pah, estás perdoado.

Mr. Turner and....

Para pendurar definitivamente. Só não sei qual. Indecisão de caso crónico, de abismal admiração que se resolve com uma mão cheia. Que pintura mais inacreditável, este Mr. Turner. Com pequenos bastidores, para a digestão, tão ou mais coloridos, aqui e aqui.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Batalhas musicais - especial já ganhou

Normalmente há um e outro. Início e final. A competir. Certo é que The Voices, comédia cabra da peste, finaliza e arrecada os prémios todos todinhos do ano. Ryan Reynolds e suas muchachas, mais Jesus, cantam Sing a Happy Song, num momento sem palavras. Que fica e fica e fica.

As velhas viagens da ciência

As Novas Viagens Philosophicas sofrem daquele mal maior da premissa financiada. Da comunicação de ciência feita de dentro para dentro, sem questionar, sem reformular, sem sequer tentar. Apresentando-se como um trabalho documental único, e sem querer tirar o mérito da técnica/esforço, o primeiro episódio destas "novas viagens", não tem nada de novo, não tem nada de viagem. Enorme desilusão que se resume a narrar planos - muitos deles aquém do que seria exigido - do trabalho de investigação de uma equipa. Grupo esse que nunca passa do plano, nunca vai além do parágrafo científico. Não há uma ideia, não há uma infografia, não há um mapa. Como é que numa série que se propõe a ir mundo fora não há um único mapa? Perdidos assim ficamos, num formato que não assume nunca o seu público e que perde uma chance única de traduzir com clareza e imaginação o trabalho fantástico que por aí fazemos.
As Novas Viagens Philosophicas

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Onde andas Olivia?

Ano de eleições

Ah e também tem fumo

Pensei: 12 euros o bilhete, pelo menos não deve ter publicidade. Pensei merda. Tinha e não era pouca. Aí fiquei logo assim do género, mau maria. Depois o empregado estava mega excitado e disse que íamos adorar, para nos agarrarmos à cadeira, que com aquele filme ia ser mesmo maluquice. E de facto, para quem já ia meio atrapalhado da garganta o 4dMaxSuperDTXY é uma loucura. Uma dúzia de turbinas de ar para cima de um gajo sempre que alguém pensava sequer em ir à rua, abana cadeira, wow, wow, cospem na cara, flash, flash, abana cadeira. Deviam era para além dos óculos oferecer também o Strepfen Mel e Limão. Não malta, não.

Rita Pavone pelo menos até ao final da semana

Nueve Reinas é aquela orgânica resposta para quase todas as questões da vida. Sem nunca se desmanchar em fórmulas ou soluções. Trapaças, no topo do ladrão engana ladrão, da mestria narrativa de uma corrida. Da cidade enquanto máquina viva, cenário, faz sempre o papel de enorme cenário onde os pequenos se tentam lembrar. Pequenos enormes atores, parelha inesquecível e ela irresistível. Onde se tentam lembrar da canção, como era mesmo, provocando e avisando: corta para negro e entra a música quando tudo termina, uma festa. Um dos meus finais.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Enjooring

Primeiro irritam-me estas "obras primas" do Wan que são sempre o mesmo filme. É o Dead Silence mas noutra casa, com outro boneco ou assombração. E as pessoas deliram, pior, deliram porque dizem sentir medo. Pior ao quadrado: faz sequelas do que por si só já é sequela, conjuring, chochuring, pichiring, o insidioso, o cagalhoso, o amaricanoso, e não pára. Segundo e último, falando mais especificamente desta última incursão: parem de dizer que aquela merda é uma história real. Foda-se mas não há nada que regule o "baseado numa história verídica"? É que aqui bate no fundo e depois dispara que nem ejaculação inchada para o ridículo. É o mesmo que agora estrear "A Raposa e as Uvas" e dizer "a próxima história real baseada nos arquivos de La Fontaine.

Fãs de Game of Thrones falam de final indecifrável

Pois é. Muitos fãs de Game of Thrones, muitos mesmo, quantos? Sei lá, imaginem as filas para o painel do The Walking Dead na Comic Con mais o número de indivíduos que foi ao Rock in Rio ver a Ivete, das vezes todas que ela foi. É muita gente. Então, como eu estava a dizer muitos fãs estão desiludidos, chocados fodidos, com um final que apelidam de indecifrável. Isto porque, palavras de um dos fãs "a narrativa andou, aconteceram coisas, e isso não faz sentido nenhum numa série como esta", ou "durante seis anos somos habituados a finais que nada adiantam, que nos prometem mais 4 ou 5 temporadas de um genial nada e agora vemo-nos confrontados com a possibilidade de a história se mover". Isto tudo porque, para quem não viu, a Khaleesi deixou Palma de Maiorca com os navios todos possíveis de fazer em CGI num único plano e promete ir rebentar com aquela merda toda. A Cersei por outro lado mata metade do elenco e rebenta mesmo com aquela merda toda. Clap clap clap. E o segredo que toda a gente sabia do João das Neves é revelado. Ou seja, ou se põe a pau ou Game of Thrones poderá de facto ficar interessante.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Já vi e é espectacular

Primeiro, para os sensíveis da vista, e como eu sou ferrenho, vou me desbocar à grande à francesa. Daí, meus filhos, não viram, ou vão espreitar o Breshit ou estão por vossa conta. Então: tem personagens novas bacocas, uma loira jovem boa, uma morena semi cota boa, o Ian Malcom, um cão, um autocarro escolar, monges no Tibete a ouvir rádio, tribos africanas a ouvir rádio, tribos africanas que lutam com catanas, uma nave do tamanho do Atlântico, yeahhhhhs com fartura, continência ao Mr. President, mais yeahhhhs, alguns "we got her!", uma rainha que é um super rip-off do Aliens, mas que corre no deserto, um segundo grupo de alienígenas que são bons e que são tipo uma bola de bilhar, e um super final em aberto para o 3. Foda-se. Como é que um gajo pode dizer que não a esta merda? Claro que falta magia, claro que o potencial de toda a mitologia criada nestes 20 anos é um pouco colocada de parte e poderia/deveria ser o sumo da premissa. [Apareceu noutras plataformas mas deveria continuar aqui acima do carrossel.] Claro, mas vamos lá, é uma guerra intergaláctica, fiquei tão excitado que parecia aquele gaiato no final do Back to the Future 2. O Emericas sabe uns truques, um deles é voltar.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Não sou de comparações fáceis mas o outro é melhor

O novo filme do Bay é tipo o Cercados mas um bocado maior, e um bocado mais podre. Muito limpo naqueles habituais contra picados e com pouco nervo prático. Pão pão merda merda. Que no fundo é o que tem de se retratar em situações assim, de absoluta ausência de bom e mau, de razão. Mais secura, sempre mais secura.

Sempre em frente que o caminho é este

Jack Reacher foi dos policiais mais porreiros que vi nos últimos tempos. Suspeito do costume, numa intriga certinha e assertiva, a ação a levar-se a sério, com espaço para não o fazer. As deixas, e as reviravoltas. Não nos põe as orelhas grandes, como a maioria, daí a minha tristeza quando li - ou absorvi por osmose - que não existiriam sequelas. Depois voltei a encher o canudo, afinal sim, e cá está. Na linha do primeiro, da primazia de uma história em detrimento de uma cena. Mais disto, menos do impossível por favor.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Terraplanagem

Primeiro, talvez o maior desaproveitamento de possíveis tesões e outras surpresas com latex. Olivia Munn, esse todo de mau caminho reduzido a uns cameos mal apanhados e tal. Pouca mama, zero rabo. Enfim.  Segundo e último, quando o plano do vilão principal é terraplanar o planeta, que nem empresa de reabilitação ambiental, e depois com o que o sobrar fazer qualquer merda, é porque existe algo de muito errado com o universo. Neste caso X-Men, que morre aqui às mãos de seu criador, do seu real impulso e alma. Ironia dos tempos, nem foi assim há tanto tempo. Mais ironia, e ainda goza, que as terceiras partes nunca prestam. Como se tivesse o dom. Não tem. Tem o mérito de ter feito a melhor sequela e a melhor em muitas outras coisas, X-Men 2 é inacreditável e melhorá sempre com o passar dos dias. Mas hoje vamos fechar, como os outros pampilhos dos avengers também deviam fechar, porque se vive de histórias boas em papel que viram mecanismos no celulóide, sem tempo nem ritmo. Esgotou-se, há muito, e ou existe coragem, ou então, as mesmas perguntas só nos levam ao desespero. E à bola preta.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Chantagem nalgal

O Pedro e o Carlos disseram-me hoje que só gravam a terceira temporada do Nas Nalgas do Mandarim se eu malhar o Libertem Willy 4 - Fuga da Baía do Pirata. Eles já viram, adoraram. Viram muitas vezes, adoraram todas e dizem que sem este saber presente nos três não conseguimos avançar. Dilema fodido este. No entretanto, enquanto se espera, vão ouvindo queridos, vão ouvindo.

Há mais de onde esta veio

Chama-se Andrea Riseborough. Uma das novas favoritas deste vosso. Ainda para mais rainha noutro deleite, Bloodline. Win, win.

Lembrem-se, lembrem-se

Atenção que eu gosto muito do Mike Banning, uma espécie de último reduto McClane, só de faca. Deixa certa, contra mil. Faz falta. A questão é que eu vinha no outro dia com o VHS ligado, no episódio do Speed, e percebi duas coisas: primeiro que me lembro deste 94 do início ao fim, e segundo que não me lembro pevas deste London Has Fallen que vi a semana passada. Há um problema crónico, e não é só da ação, é do mundo: incapacidade de construir. Não existem set-ups, nem grandes momentos, de A para B, segmentos, cenas , aquela cena, aquela! Já não conseguimos, cada vez mais perdidos em montagens condicionadas ou fogos de artifício sem valência, perdemos o ritmo, perdemos a memória. Ficamos reféns do vazio. Prisioneiros da saudade. E a seguir já escrevo um texto com palavrões que esta merda foi muito maricas.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Boo Bop BopBop Bop

Toda a gente a cascar no filme da gorda caça fantasmas e ninguém se digna a repudiar com afinco o remerdas do Pete´s Dragon. Eu já repudiei uma vez, mas vamos lá ser sinceros e justos: não podem ser sempre os mesmos não é? Volto a dizer, CGI pesado e o dragão é peludo. Não há faróis. E até ver, zero musiquetas.

sábado, 11 de junho de 2016

O Sean Connery também tentou, em tempos

A wikipédia também é humana. Estava eu a vasculhar os subgéneros do género thriller quando me deparo com um esquecimento grave. Há os thrillers da conspiração, os criminais, os psicológicos, os tecno-thrillers, os políticos e os eróticos. Isto diz ela.. Então e os "thrillers com o Anthony Hopkins"?! Estava a mamar o Solace e a pensar, este gajo é já uma subcategoria por defeito, ou seja, não sabemos bem porquê, sabemos que ele anda lá, em tempos foi qualquer coisa, hoje está mais velho, é sempre o mais inteligente e que aquilo é um "thriller com o Anthony Hopkins". Ponto.

Até ver

A dupla processou o pessoal, uma gaja da ioga, não tinha mamas ou sei lá. Não li a notícia toda e também gosto mais quando é assim meio boato, com tudo tremido, como se estivéssemos ainda a arrotar cerveja. Certo é que o novo de The Shallows é, até ver, o trailer do ano.

O pau dos 20 anos

Acordo de manhã e olho: então mas que pau é este? Junho não me costuma entesar deste modo. Enquanto desmonto a tenda chego à resposta. É que está a chegar o dia amigos, está a chegar.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Voar baixinho

La migliore offerta, passeriforme que voa baixinho, vindo sabe-se lá de onde, construído nos cafés, nas cervejas e nos conselhos. No boca a boca, como se estivesse escondido, a própria relíquia ou antiguidade, do outro lado da parede. Ela ou o quadro. Sendo a agitação dos dias a nossa prova de fogo, para a podermos ouvir e descobrir. Complexo, tão complexo como o próprio jogo a que se propõe: desmembrar um ser humano para construir uma máquina. Não é novo, por vezes demasiado comprido e previsível. Mas doces camaradas, tem um dos finais mais infinitos e inesquecíveis destes últimos anos.