sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Museus televisivos


Meteram-se com a série errada. Não é esta, não é de todo Black Mirror, que querem comparar, calcular e pesar. Como se de um morto e circular programa se tratasse. Há demasiada vida para fecharmos a cola quente o termo "temporada". É mais um serão/festival/festim. Um desafio, uma provocação, uma certeza. Que nem ovo kinder de última geração. Abrimos, sempre cientes mas nunca preparados.

Mas não é só a surpresa que faz figurão, o risco e o experimentalismo aparecem logo ali. De todas as cores e todos os géneros: a velha ficção científica, o chuvoso policial, o negro pós-apocalíptico ou a colorida história de amor. A maternidade. E por fim aquele musealizar irónico e introspectivo, onde a série se coloca ao nosso lado, como visitante do seu próprio espólio. Do seu único negrume.

Incrivelmente bem escrita, não menos bem interpretada, Black Mirror continua a ser um agente provocador essencial, com um impacto único na visitação, discussão e interpretação. Que continues aberto por muitos e bons anos.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

O homem só queria ter uma vida normal


Michael Cuesta, noiva assassinada e plutónio roubado. Se isto não é o cardápio da felicidade não sei o que será. Ainda para mais com um Michael Keaton de sobremesa. Vamos lá a muscular com aquele que tem possivelmente o arranque mais frenético e bem filmado desde, epá desde, não sejam picuinhas.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

As melhores séries de 2017 | Créditos Finais

Ainda bocejar do top anterior? Impecável. Vamos aproveitar o embalo e sem fechar minimamente a façanha rugir televisão. Séries, seriados e outros assuntos emprestados. Refém da rima mas nunca refém do mau gosto ou não fossem estas as últimas bolachas do pacote. Caneta na mão? Então vá, vamos isso, agora com link direto para o imdb que o nino não pode escrever sobre tudo.

10 - Black Sails | Temporada 4



9 - The 100 | Temporada 4


8 - Star Trek: Discovery | Temporada 1


7 - Fargo | Temporada 3


6 - The Expanse | Temporada 2


5 - Man Seeking Woman | Temporada 3


4 - Dark | Temporada 1


3 - Stranger Things | Temporada 2


2 - Room 104 | Temporada 1


1 - The Leftovers | Temporada 3


Menções honrosas: Legion, Dimension 404, Future Man, Blood Drive

domingo, 17 de dezembro de 2017

Os melhores filmes de 2017 | Créditos Finais

No seguimento dos dias e naquilo que muitos apelidam de maturidade decidi por unanimidade interior trazer-vos uma daquelas listas aborrecidas dos melhores filmes de 2017. Para depois poderem cruzar com as outras 765 e fazer uma ANOVA de duas vias. Cada filme vai diretamente para o textinho a quente que escrevi na altura. Espero que gostem e por favor não parem já de bocejar que a seguir vem o top de séries. 


10 - War for the Planet of the Apes


9 - The Big Sick


8 - The Meyerowitz Stories (New and Selected)

7 - Valerian and the City of a Thousand Planets


6 - Logan


5 - Good Time


4 - It


3 - Mother!



2 - John Wick: Chapter 2



1 - A Ghost Story


Menções honrosas: Logan Lucky, The Lost City of Z, Wind River, The Babysitter, Seven Sisters, Life, Get Out, The Discovery, Jim & Andy: The Great Beyond

sábado, 16 de dezembro de 2017

Do céu caiu um novo Skyline


Frank Grillo, Iko Uwais e aliens. Nem eu conseguia inventar melhor miminho de natal. Num série Bzaço, que usa o seu fraquinho antecessor como alavanca para algo maior. Uma cataplana de Species, Terminator, War of the Worlds, Independence Day, The Raid, Starship Troopers e tantas outras coisas que não sei bem o que são. Acabando por andar nos seus pezinhos, procurar novos campos dentro da sua mitologia a abrir espaço para um terceiro capítulo. Filme sci-fi coração de garagem com efeitos especiais de uma grande produção. Não dá para pedir melhor.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Top 2017 - nem tudo foi mau

1) Melhor mana Delevingne sem fato espacial - Poppy Delevingne em Kingsman: The Golden Circle




2) Melhor mana Delevingne com fato espacial - Cara Delevingne em Valerian and the City of a Thousand Planets



3) Melhor lança - Jeepers Creepers 3


4) Melhor lança pregos - Mayhem


5) Melhor babysitter - a miúda do lança pregos em The Babysitter


6) Melhor "ainda melhor que a cena de cima" - Charlize Theron e Sofia Boutella em Atomic Blonde



6) Melhor lençol - o lençol que esconde Casey Affleck em A Ghost Story


7) Melhor CGI - Johnny Depp estrábico e com menos 20 anos em Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales


8) Melhor adeus com braço alheio - It


9) Melhor braço prostético - o braço prostético de Adam Driver em Logan Lucky


10) Melhor "mas ela é menor" - Good Time



11) Melhor "será que ela é menor?" - Naomi Scott (a rosa) em Power Rangers. Descansem, não é menor.


12) Melhor luta de espadas numa mota - The Villainess



13) Melhor luta de espadas numa ilha - Tom Hiddleston a aviar bicharada voadora em Kong: Skull Island



14) Melhor Viarco - John Wick 2



15) Melhor AILF - Marisa Tomei em Spider-Man: Homecoming



16) Melhor Agarrem Esse Bebé - aquela cena em The Fate of the Furious



17) Melhor "aprende a dizer os dias da semana" - Seven Sisters



18) Melhor manter o namoro de pé - Beauty and the Beast



19) Melhor gorrinho na cabeça duma parva - Before I Fall


20) Melhor "cabrão do puto é mesmo fofinho" - o gordinho mutante de Logan, foge gordinho, foge!


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

No fim é que está a virtude


Mas tu não és fã. Dito que tem sido muito usado em galhardetes, explosões de carruagens e assaltos à mão armada. Ontem, hoje, nos dias chuvosos de guerra que vão passando, e eu tentando, aqui nas trincheiras terminar o querido diário. Ser fã não pode ser argumento de algum tipo de vantagem no que à crítica cinematográfica diz respeito. Não é essa maior paixão que nos dá uma maior compreensão de e do cinema. E hoje mais que nunca, misturam-se os mimos e as expectativas, com valor e opinião. Nada disto tem limites desenhados ou tampas fechadas, as coisas misturam-se forte e feio, mas é importante irmos parando e conversando. Sem balas.

É só uma ideia aborrecida que achei interessante como prólogo. Star Wars: The Last Jedi - com SPOILERS - tem de facto aqueles tiques chatos, cada vez mais acentuados, de planura criativa, nos diálogos e na ação mãe. Nem tanto a infantilização, mas a repetição de ideias, frases e momentos. A Rey diz uma série de vezes que está ali por isto e por aquilo, a leccionar um conceito que já tínhamos bem antes do filme, ou noutro lado, é sempre "maus vão buscar uma arma grande e bons têm de a desarmar, arma grande, desarmar, arma grande, desarmar". Ping-pong, sem tentativa de complicar as regras. Esta era a parte negativa. Esperem, a comédia, não sei se resultou tão bem como no anterior, senti as piadas mais forçadas e mais desnecessárias, atingindo mesmo a bizarria com a cena de passar a farda a ferro. E agora sim, esta era a parte negativa.

O bom: o filme tem planos absolutamente derradeiros. Star Wars existe para aquele enorme silêncio que quebra a nave ao meio ou para aquele bailado na sala de Snoke. Os próprios diálogos entre a Rey e o Ben, criando uma proximidade split screen sem o utilizar são incríveis. O sal a rasgar para o mineral vermelho. O final, com o miúdo de vassoura na mão. É novo? De facto é, de facto Rian Johnson faz um capítulo do meio que é um capítulo final em todos os outros lugares do mundo. Dá a sensação que se agarrou à coisa e disse: bem, venha o que vier a seguir este é o meu filme. E mais, para além desta declaração de independência ele arruma com todos os assuntos quentes, mistérios e teorias: queima os livros, mata o Snoke e esclarece a questão das origens da protagonista. Com uma ironia e um despacho que têm de estar a irritar muita gente. Lembrei-me de imediato do que Shane Black fez com o Mandarim em Iron Man 3, a desconstrução de um vilão temido e reconhecido. O mesmo aqui, 30 horas de teorias, do líder supremo, dos jedis, dos pais da outra, e vai-se a ver, pau, catrapau e pau. Porque - e é aqui que me ganhou - este é um filme sobre redenção e reconstrução de um ideal. A despedida de Luke, é um belíssimo momento de vitória e de constatação: os jedis, a força, os impérios, seus rebeldes, a vida, a morte, vão sempre existir. Podem mudar, nós podemos mudar, mas, de uma forma ou de outra, eles estarão sempre lá. 


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

A Claire Forlani não morreu


Ali está ela, neste Die Hard dos 300 com o Adama mais novo. Ao que parece os filhos também estão lá presos e está tudo a arder. Cenas. Era só mesmo para não ficarem preocupados. De nada.

I've gotta be me


Tanta pergunta. Numa altura em que procuramos receitas e respostas, cálices para clarear a fumarenta fronteira entre o homem e a arte, Jim Carrey vem e confunde tudo. Cria algo tão umbilical que deixamos de topar os limites, do certo e do errado, do génio e do louco, reféns deste útero de ideias. De um ator que desde sempre procurou sobreviver às máscaras dentro delas, e que hoje sai. Sai de algum lado para se desconstruir e é como descobrir. Tudo de novo, nas memórias e testemunhos. Absolutamente delicioso, completamente obrigatório. 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Mesmo


Olhem, foi um bocado bem passado: fiz as pazes com o chinês - eu sei que é coreano - do The Walking Dead e apaixonei-me de novo pela loira do The Babysitter. Que assim de esgalhão fez dois miminhos da facada e da motosserra do melhor que se viu este ano. Este contigo menina. O filme, nada de novo mas diverte. Só que com o som no máximo ou seja: mesmo nada de novo mas diverte mesmo. O mesmo é mesmo aqui o truque: um bocadinho perto de The Belko Experiment e dos outros 3457 filmes que enclausuram pessoas com bexigoses e com raivas, mas muito mais livre, sem códigos morais ou exercícios de situação. Projeções. Que se lixem. Temos desculpa para tudo e apesar de não conseguir aguentar o frenesim genial do início deixa-nos com vontade de inventar uma app onde a malta fica com o olho vermelho. 

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Motas e espadas


The Villainess tem cenas de batatada tão boas que quase - atenção quase - destronavam o John Wick 2 do trono de melhor "ação cristalina" de 2017. Para além disso, deixam-te a interrogar - especialmente nas cenas com veículos em movimento - mas como é que eles fizeram isto? Eu fui pesquisar e já sei, mas não vos digo porque vocês já são grandinhos, vá, vão lá trilhar as vossas próprias veredas. Com esta senhora? Pois, a execução do argumento, já por si mastigado, é um pouco trapalhona, especialmente no terceiro ato. Falta aquele golpe de mestre para juntar à façanha visual. Nunca chega. Mas opá, tem motas e espadas, ao mesmo tempo. Querem mais o quê?

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Os filmes da Eliza


Nem são tanto os cortes a meia sentença mas mais o encavilatar das palavras. A translucidez do quotidiano num estado de desordem natural, sem tempo, sem filas de espera ou momentos ideais. Nisso Baumbach é rei e senhor, tendo aqui um deslumbrado, em constante descoberta. E depois os detalhes da incompreensão, do ridículo e da arte. The Meyerowitz Stories (New and Selected) tem esse triângulo requintado nos filmes da Eliza, a jovem que estuda cinema e que faz algo, um pouco fora. Para deleite de uns, boca aberta de outros. Hilariante, delicioso. Por si só valiam outro filme, spin-off já?