quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Sozinhos em casa


Se acham que o novo Oikos com castanha não combina, não se aflijam, para além de não falar mais disso trago uma sessão dupla que parece uma. De tão certa, irresistível e irrepetível. E nisso temos de dar o braço a torcer ao Senhor Joaquim que mais uma vez dinamiza estes lançamentos com a cabeça de um grande estratega e o coração de um festivaleiro. Better Watch Out, primeiro, pois já andava de olho nele. Uma descabelada e descontrolada noite de natal, assente na premissa de uma invasão doméstica. Mais não digo porque a seguir vem The Babysitter, e sim aconteceu: gosto de um filme do McG. Ah e os Anjos de Charlie? Ah e o Terminator 4? Perguntam vocês. Estou a gozar ninguém pergunta isso. Aqui a lógica é idêntica e porque já passa da hora, podemos seguir para o que une de forma tão orgânica estas duas malhas: 

- ausência de regras. É um "mas que raios?" ou "ai que maravilha" constantes, como se fôssemos nós a editar ou tivéssemos nós pedido aquele atrevimento. Especialmente o filme do McG, com títulos, músicas e tralha sci-fi, sim sim sim;;
- a babysitter, figura um pouco esquecida no terror recente, ou no meu terror recente - para não ser linchado com uma lista de 30 filmes de terror eslovaco do ano passado só com babysitters;
- tripas, e afins. Apesar deste ser um género muito pouco maricas - não é como aqueles filmes de guerra para maiores de 12 - é sempre revigorante uma chuveirada de sangue;
- nenhum tem mais de uma hora e meia. Na mouche;
- podem substituir o Sozinho em Casa num futuro distante e utópico;
- o puto, a figura mais interessante de ambos pois ambos são um despertar, de um modo quase antagónico e inverso. Aquela série de acontecimentos acorda duas figuras incríveis representadas por duas valentes promessas.

Mais não se pode aqui dizer, é para ver, em parelha, em conchinha e depois voltar para rirmos e debatermos todos muito. Pode ser?

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

De quarto em quarto sem nunca ir lá fora


Está na hora. Depois do mais belo dos inícios, das metades e dos finais, precisamos de desmoronar. Para voltar a montar, encontrar um novelo, uma existência. Existe de facto um quarto, uma unidade no meio de todos os resquícios. Gostava de discutir convosco, hoje ou em qualquer outro dia, o porquê de tamanha maravilha. Por enquanto, deixo a minha lista, a minha ordem, para eu próprio ficar em sentido. Do pior para o melhor.

12 - The Knockadoo (Ep. 3)
11 - The Missionaries (Ep. 7)
10 - I Knew You Weren´t Dead (Ep. 4)
9 - Ralphie (Ep. 1)
8 - Boris (Ep. 9)
7 - Phoenix (Ep. 8)
6 - My Love (Ep. 12)
5 - Pizza Boy (Ep. 2)
4 - The Fight (Ep. 11)
3 - Red Tent (Ep. 10)
2 - Voyeurs (Ep. 6)
1 - The Internet (Ep.5)

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Cinema Notebook 2054


O Cinema Notebook fez treze anos. Treze anos de histórias mas acima de tudo, treze anos de uma história, que se quer viva, que se quer de hoje para levar amanhã. A história da blogosfera nacional. Que é de todos, que é minha. E apontando a lente ao meu umbigo, se não fosse ele, o Créditos Finais não seria. Existiria, mas com outras ligações, novas enzimas. 

O Carlos, para além da certeza, sempre foi o entusiasmo, a locomotiva da frente que nos relembra os motivos de tão fortes buzinas. A vontade de criar - iniciativas, conteúdos, encontros - acreditar e acima de tudo unificar: manter e celebrar um grupo de malta que ano após ano escrevem e discutem cinema. Como na mesa de bar, na única mesa de bar. E como canta a Clarice Falcão, se esse bar fechar, eu fico só.

É vital preservar, não só as antigas canções mas também os novos versos. Obrigado companheiro pelo eterno esforço e constante inspiração. 

Para a próxima avisem


Eu até gosto de vocês, mas há coisas que por favor. Sem querer acusar ninguém diretamente, porque é que ainda não me tinham contado que o Can´t Buy Me Love - a melhor comédia romântica de sempre - tem um remake de 2003 intitulado Love Don't Cost a Thing? Com o cavalheiro do Drumline e uma jovem com as mamas quase à mostra. Fui ver o final no YouTube e ia tendo um ataque de asma. Triste, pela falta de respeito, triste por não ter sido devidamente preparado e avisado. 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Mói


Este filme tem o zombie mais chato da história dos zombies. E é que tais figuras penadas já são, por si só, chatas. Larga larga, deixa-me da mão. Só que este, tu pensas finalmente que o moço desistiu ou ficou a comer um qualquer carnívoro do deserto, mas não, passito a passito, manquito a manquito, lá vem ele. A marcar o ritmo de um filme que perde nas interpretações mas que ganha na forma inventiva com que constrói a sua protagonista. Todos os reflexos e medos reflectidos naquele corpo morto, o fantasma de todos os fantasmas. Para no final virar o bico ao prego e renascer das cinzas. Venha o dois.

sábado, 7 de outubro de 2017

A memória de todos deu o sonho de alguns


No segundo episódio de Philip K. Dick's Electric Dreams, uma senhora em fim de vida contrata uma empresa de turismo espacial para conhecer a antiga Terra. Num futuro bem longe, onde vivemos mais de 300 anos e onde esta bola azul não passa de uma história. Tudo no grande espaço mas tudo construído e confinado na pequena nave. Com três ou quatro atores em cena e a peça resulta. Estas restrições, televisivas e orçamentais, levam ao confinamento e clausura das histórias, obrigando os agentes criativos a procurar novas soluções. Mas em última instância, todas estas circunstâncias resultam numa clara aproximação às personagens, à mensagem.

Blade Runner 2049 espalha-se ao comprido nesta tarefa. Propõe uma história que se quer labiríntica, entre vielas e becos, quartos e salas. É isso que nos apresentam com o incrível início e todos os pressupostos, todas as regras do novo jogo. Até ao jantar. Aquele admirável mundo. Só que depois abre a lente para os grandes planos, para os aéreos e nevoeiros, e a estética passa a mandar. A marcar o ritmo, em detrimento de tudo o resto, dando à luz um enorme vazio. Tudo é bonito, mas tudo é bacoco. Por exemplo, em Valerian, as imagens e delícias daquela estação, estavam povoadas, estavam cheias, viviam. Aqui não. Faltam nomes, faltam interações, tropeções para se poder justificar tamanho empreendimento.

[SPOILERS] E sim, toda esta passadeira vermelha do olho cheio faz com que o argumento coxeie, mas sejamos sinceros, ele já nasceu torto. Os diálogos são pobres, pouco esculpidos e trabalhados. O peso do nome e suas obrigações, acorrenta a ação a um Harrison Ford cansado, a um passado que poderia existir mas que não tinha necessariamente de voltar. A relação entre Gosling e Ana de Armas, as motivações de Jared Leto, são importantes arcos que simplesmente se perdem na maré. E estava aí a força e o centro. Não num suposto híbrido, que é a massa mais batida nesta e noutras andanças: lobisomens que se cruzam com vampiros, o proibido, a salvação. Mas é impossível! Oh meu deus! E há momentos que parecem ter sido escritos num guardanapo depois de um double cheeseburguer, como o momento em que Luv vai à esquadra, tranquila, mata a chefe e depois vai embora. Mas que bófia mais banana é esta? Não está lá ninguém? Aquilo é uma esquadra ou um escritório de advogados? Ninguém prende ninguém? A tempos parece um filme feito por miúdos. A tempos também regressa, quando conhecemos a rebelião, quando percebemos que a memória de um pode ser o sonho de todos, mas fica pouco para agarrar. Pouco para discutir e pensar. E no fundo era só isso que eu queria.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Vá lá


Esqueci-me de vos dizer que já vi o novo Piratas. E até gostei: a Geena Davis tem uma boa química com o Matthew Modine e o Frank Langella é um vilão muito competente. Não percebo tanta crítica, tanta, que às tantas já é implicância.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Cosplay dos 300


Para além de ser um filme maior, A Ghost Story é também a fantasia mais em conta para esta Comic-Con

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Não se enganem


Vi, numa crítica. Esquisito, referenciarmos críticas de cinema que vimos e não lemos. Ouvimos e não folheamos. Se bem que existem verdadeiros artistas e o espaço é bem largo. Nesses bons sons esta senhora que explica a sua visão. No vídeo, entre outras coisas, um dos pontos que gostaria aqui de elencar: Mother! é um filme de terror. Não se enganem com as lérias de thriller, drama, suspense, não, é do início ao fim, do osso à carne, horror. Nos tempos, na luz, na tensão e na claustrofobia. Horror como só o horror visceral, da incompreensão sabe ser. Aí o segundo tópico, na cauda do anterior: Jennifer Lawrence numa interpretação angustiante, com o seu corpo desorientado, volante da câmara, entre uma divisão e outra, a sufocar, a sufocar. Entrega épica da jovem atriz. E assim chegamos ao terceiro vértice, que nos enuncia simplicidade. É obra para conversas, debates, imperiais e amendoins, essas coisas que nos fazem sair de cabeça levantada. Mas é, em simultâneo, um filme claro na sua mensagem, no seu próprio labirinto. Nunca se desequilibra ou transborda, um caos fiel a ele mesmo. Não se enganem com as balelas de uma anarquia de imagens, do desconexo, do fragmentado. Está lá tudo, a experiência, o terror, a mãe e o filme, está lá um belíssimo filme.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O nosso legado


Talvez tenha sido eu, a ler mal o marketing e a esperar muitos beijinhos na boca. História de facto, e bastava ter lido bem o título. Que no seu número nos diz tudo. História de facto, ideia do que é ser fantasma. Tal ser penado no correr dos tempos, de um tempo. A Ghost Story é esse poema perdido, desencaixado, para ser visto com olhos e coração no máximo, inesperado no modo como se vai virando: de um fechar de porta para um monólogo - melhor monólogo do ano? - para depois tudo ser destruído, assim, clique. E ele - o espectador? - ali, assombrado, preso à casa - ao cinema? - com tudo a mudar, à procura. Viagem companheiros do lençol, viagem.

sábado, 16 de setembro de 2017

Conta comigo


It, aquilo de que todos falam. E não é por acaso. Não é por acaso os 80's, o poster de Elm Street, as bicicletas, os putos. O humor, a puberdade, o medo. Aqueles enormes monstros desproporcionais, gigantes em demasia mas que na altura mediam de facto todos aqueles palmos. Podia ser desleal, uma açorda de referências a espreitar nas nossas carteiras. Mas não, é um filme que se aguenta por si só, corre sozinho por perceber cedo que história quer contar. Uma para além dos gritos: é o verão daqueles miúdos, juntos, a crescer e a doer. O resto é pretexto, é rastilho. Pode cair um pouco na repetição e exaustão de momentos, especialmente na segunda metade, mas caraças, que grupo incrível de pequenos atores. Cada um senhor de si, como as boas aventuras, destacado nas suas deixas e tiques, nos seus medos. Para além deles um Pennywise à altura e uma mitologia que não se estatela naqueles vícios didáticos, deixando muito para pesquisar, pensar e descobrir. O cinema é assim. E digam lá, se o momento em que vemos o covil, de baixo para cima, em todo o seu esplendor, não é das coisas mais incríveis que a fantasia recente ofereceu?

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Subiu e subiu bem


The Big Sick é uma história plena. Um coração cheio. A jeito de todos os peitos. Tudo certo num festival de sinceridade onde o espectador é aquele intruso. Deliciado, escondido no meio dos lençóis, no meio de um argumento incrível, divertido e cheio. Não vou deitar nada cá para fora, para vos valer a experiência, o bilhete completo, mas posso - e devo - sem estragar, elogiar o quarteto de protagonistas. Em especial Zoe Kazan, que com muito pouco oferece a mais autêntica e genuína das presenças. É todo o real em meia dúzia de sorrisos. Como poucos, como muito poucos. E depois tudo o que sobra: o palco e a sua procura de identidade. A plateia aplaude. A plateia aplaude muito um dos filmes do ano e a comédia americana que finalmente eleva a fasquia. 

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

À noite, só à noite


Vem à noite mas podia ser melhor. E o problema é que em 2017, hoje, ou ontem, esperava mais. Não mais do mesmo. Estamos numa era de recordes apertados, o milésimo do milésimo a bater e a contar, é preciso, para ganhar. It Comes at Night não apresenta uma única brisa. Janelas fechadas. Pior, sente-se uma certa arrogância de não as querer abrir. Há a história das duas famílias, um vírus, um mundo em ruptura, há isso e depois não há mais nada. O que até podia resultar, se nesse fragmento conseguíssemos dar a mão às personagens ou destacar um protagonista. A cinematografia é maravilhosa e o suspense é muito sólido. Luz, interpretações, secura, suposição, tudo certo. Ninguém foi ao fundo, o problema é que também ninguém chegou a terra firme.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Ai, primeiro olhar, primeiro olhar


Dizia "Creep 2 first look". Sim senhor. Cliquei, vi uma foto do Duplass e depois deslizei, procurei, voltei a subir, e não estava lá nada. Aí percebi: o primeiro olhar, o tal primeiro olhar, era a foto do protagonista, vestido de preto com um colar na mão. Só. Pode ter sido tirada em casa, na rua, num beco, ontem, agora. Eu gosto imenso do original mas chega destas promoções vazias, destes cheirinhos sem aroma, destes exclusivos e piscadelas de olho que só causam é arrelia à vista. 

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Fazer as pazes


Ia fazer um trocadilho manhoso com Noomi Rapace e Noomi Rapaz, porque fiz as pazes com ela. Mas depois o Rapaz pode ser confundido com rapaz, e estamos numa altura quente de géneros e Portos Editoras. Não quero esse tipo de barafunda aqui em casa. Mas sim, voltando ao tópico, vi um casalinho de películas com ela e foi como passear no prado. Andava assim meio danado, Passion, Prometheus, más interpretações, sotaque cada vez mais irritante, até que me chega o impossível: sete versões da menina. Seven Sisters, um sci-fi caseirinho, violento até mais não, que nos dá tudo o que andávamos a pedir desde The Hunger Games ou qualquer outra distopia recente. Sabe o que tem e joga com os seus trunfos de forma muito inteligente: quer a nível visual, quer a nível narrativo. Os diferentes dias e o modo como esse mecanismo abre todas as possibilidades. E tudo muito graças a ela. Bem como Unlocked, um daqueles thrillers esquecidos do VHS, de um esquecido Michael Apted, que traz ao de cima a simplicidade da volta e reviravolta. Bem como a necessidade da mesma. Não que nos arrebata ou surpreenda a cada esquina, mas tenta, tenta muito. E a Rapace dá porrada na malta que não é brincadeira. Até o Legolas apanha.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Não roas as unhas, vais precisar delas para tocar o Baby Driver


E a meio alguém disse: agora conduzes tu. Trocando em andamento, com cotoveladas, roça roça e desajeitados movimentos que mesmo depois finalizados, e cada qual em seu novo assento, não ofereceram seguro rumo. Wright estava bem, viril na sua premissa, de ser a música a ditar o tom. Ritmo, história. Num mundo de bolhas, de indivíduos cada vez mais reclusos do seu próprio som, convidar-nos para o casulo apertado de Baby era proposta irrecusável. E aguenta-se, no seu modo de trautear e musicar o que a rodeia. Conseguimos ver, quase envergonhados, como se constrói outra realidade. Claro, amigos, que tinha de ser na saúde e na doença, e ao primeiro problema o filme resolve-se, esquece as regras e, trapalhão, lá brinca ao gato e rato, ao grande espectáculo. Sem orientação nem audácia. Era preciso coragem e disciplina para levar este Baby Driver ao porto do inesquecível. Wright não tem uma coisa nem outra. 

domingo, 30 de julho de 2017

O jogo de todos medos


O amadorismo de Fear, Inc. até podia ser pitoresco. Engraçado, se no final conseguisse descolar. Desprender-se das referências e apresentar um puzzle novo. Porque os ingredientes estão lá e estão lá bem: ironia, paródia, reflexão. Estica-se com alguma bravura mas depois não se concretiza, não se propõe a mais do que um sistema de bonecas russas, de homenagem em homenagem. E isso por si só já chateia.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

No fundo a culpa não é minha


Ela chegou a casa e topou logo. Depois super discussão. Ainda tentei mentir, não, a sério, vi o Synchronicity por causa da gaja, a sério, foi pela gaja, é bem boa, chama-se Brianne Davis e é bem boa. Nada feito, conhece-me em demasia e viu nos meus olhos. Lá tive de admitir que tinha acontecido a recaída e que tinha voltado a ver um filme de merda time travel. 10 meses limpo para isto. 

Destino obrigatório para estas férias


Vamos lá sentar bem na cadeira: Valerian and the City of a Thousand Planets tem a melhor cena de ficção científica da década. Fazendo ainda peitos a muito bom portento que está para trás. O mercado, aquele arranque narrativo alucinante, do que vemos e não vemos. Acreditamos e desdenhamos. Ali no meio do deserto, pões os óculos e zás, um passeio pela indústria, pela história e no final ainda trazes uns brindes, ainda vês o que sobrou. E eu via já tudo de novo. Uma troca, um resgate, um ritmo impiedoso que se embrulha simultaneamente em tempo. As cenas voltam a ser cenas, senhoras com identidade, idade e memória. Besson sabe e quer dar-nos isso. Este e o outro. E a outra grande conquista da sua obra é esse movimento, tão bem recebido e desembrulhado: o CGI como parte da travessia, corpo e parede da jornada, orgânico, imersivo, sem nunca cair no cansaço automático de uma amálgama de explosões. Não, estamos na cidade dos mil planetas, que apesar de mil não deixa de ser uma. Unidade, de aventura em aventura, da dança da Rihanna ao chapéu branco da Delevingne. O resto poderia ser o serão mas é apenas a deixa, para vós, Valerians desta vida. 

terça-feira, 25 de julho de 2017

Baseado obviamente numa história verídica


O ritmo documental abre, a espaços, um claro e fresco policial. Saltos de pista em pista envolvem o filme mais no mistério e menos no found footage, ou melhor, o mistério usa o found footage e não o contrário. Acabando o terror por ficar de lado, dando de facto intensidade e acendendo a curiosidade. Só é pena que a resolução não tenha o mínimo de respeito por esta construção, por qualquer espectador fã groupie do género, com 896 películas destas no currículo, que só pretenda o mínimo de invenção. Como no The Dyatlov Pass Incident, por exemplo. Não, encaixa na cassete final e resolve facilmente com a desculpa tremida e óbvia. Sem rede, sem intriga, sem nada. Mais uma. 

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Bem, vou só ver mais uma vez

As probabilidades sempre nos indicaram esse sei lá possível, de todas as combinações, factores, a colidir para que o produto resulte. Tudo conta, tempo, espaço, eles, nós, zeros zeros e mais zeros. É difícil fazer um trailer falar; mais difícil ainda falar connosco. O trailer da segunda temporada de Stranger Things tira esse coelho da cartola. E deixa-nos de boca aberta, em 2017, como se houvesse espaço para espanto neste presente. Há, e há lugar para esta saudade, esta família, que, apesar de envolta na fantasia do CGI, segura um real, uma orgânica, uma proximidade. Os planos sempre em cima, os rostos, os ícones, é já ali ao lado. E por ser tão perto, para mim já ganhou.


Afinal as teias estavam lá


Spider-Man: Homecoming, ao contrário do que nos tentaram exaustivamente vender, começa sem amarras. Com suas teias fresquinhas, logo a reinventar a cena do último Capitão América e a tirar a água do capote. A descartar aquele cansaço que foi, aquela enxurrada de personagens, teasers, introduções e trambolhões. Hoje não, hoje é este puto, a pedir com graça que voltemos a acreditar nos super heróis. Ironia das ironias, já ninguém acredita, já ninguém tem pachorra. Ele sabe disso, ou não fosse ele protagonista daquela deliciosa cena, de toda aquela frustração. Bestial, assim como o vilão, um Michael Keaton sempre seguro a segurar intenções humanas e não a eterna parvoíce de controlar o universo com a merda dum anel ou um rubi, ou um anel de rubi. Para te levar ao concerto que havia, bem vocês sabem. O problema, é que mais ou menos a meio, talvez mais perto do último terço, o filme se descarte de responsabilidades, do verdadeiro "baile de finalistas". O próprio twist é arrastado para o final de forma a evitar o confronto e a problemática: ou seja pedem-nos que sejamos homenzinhos mas depois acabam por nos dar apenas carrinhos e bonecos de brincar. E havia lá mais, bem mais. 

domingo, 16 de julho de 2017

E durante todo este tempo era o macaco que tinha a chave


Afinal era tão fácil. Bastava virar a câmara. Mudar de sujeito, objeto, foco. Esquecer, finalmente, os James Francos, Freidas Pintos, Jason Clarkes e Keris Russells desta vida, pôr de lado a pastelice humana e apagar a fé. Admitir e finalmente circunscrever um protagonista, o protagonista: Caesar. E começando no que poderia ser uma perna mais curta, uma falta de orgânica, os efeitos especiais que dão vida a esta malta estão absolutamente maravilhosos. Não me lembro de recentemente ter ficado tão absorto e convencido pelo digital e pelo fabricado. Apoiados por cenários muito inteligentes e austeros, levando-nos rapidamente ao segundo ponto. O argumento. Leva o debate, o cruzamento, do que é ou não humano, pensante, digno e verdadeiro para outro nível. Baralha os olhares e no meio da luta quer realmente deixar algo, muito cinzento. Para além disso, o material promocional foi macaco - foda-se que trocadilho - e escondeu o filme, dando apenas pistas. Resultando então naquele que é sem dúvida o blockbuster mais interessante do ano.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Ela existe


Aquele artifício esperado, das renováveis hollywoodescas, é aos poucos substituído por uma ambição fóssil. À medida que nos embrenhamos na selva - ou nele próprio - vamos tirando o plástico; não que isso implique tirar a poesia, nunca, as imagens estão lá, apenas e sempre para nos trazer a história. O compromisso, os laços. O que perdemos e queremos encontrar, está ali, existe. Belo filme.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Também me lembrei do miúdo dos auscultadores no Face/Off


A cena é de facto muito parva. Mas se virarmos a câmara, mudarmos o ângulo, num filme absolutamente anónimo, idiota e mecânico, um bebé com auscultadores aos trambolhões de um lado para o outro acaba por ser refresco. Como a pimenta no cu dos outros. Um desvario digno das comédias infantis dos anos 90 e a mais que merecida homenagem a essa enorme e inconfundível obra de negligência parental Agarrem Esse Bebé

domingo, 2 de julho de 2017

A mãe da galinha dos ovos de ouro


Até quando é que as comédias americanas vão recorrer à temática paternidade/maternidade para as suas sequelas? Então como é que enchemos mais 120 minutos disto? Podíamos trazer os pais, podíamos trazer as mães. Mas a história é igual não é? É é, a mesma merda. Pronto, então vamos lá. Um filme, que eu nem sabia que existia, com o Ferrell e o Wahlberg, tem agora continuação com os respectivos progenitores Lithgow e Gibson, Daddys Home 2. Quase tão abjecto como A Bad Moms Christmas, que para além de usar a do natal usa a carta mamãs das mamãs. E assim em surdina lá se vai enchendo o rabiosque, mais uma volta. 

Então mas hoje não sai nenhum filme com o Nicolas Cage?

Ah espera. Sai sim.


quinta-feira, 29 de junho de 2017

Um minuto de silêncio


Hoje saiu o tal trailer do tal recenas do Jumanji. Cor, CGI, palermice, o The Rock, mais cor, mais CGI e mais palermice. É pior ainda. Mas o momento é de dor. Respeito por aqueles que já foram felizes no tabuleiro. 

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Ainda assim, se alguém quiser abrir o debate aqui estarei


Neste género de desafios, em que muitas peças são montadas no pós-filme, por ti, têm que ser cumpridos certos requisitos. Mínimos, para se passar, à justa ou não, mas para se passar. Vá anda lá, já tens um metro e meio, podes seguir no miolo deste cavalheiro atraente. Podes ficar a levitar mas tem de haver faísca para voltares à cama, sofá, chão, de tecla em tecla. À procura de resposta, de troca, de conversa. Buster's Mal Heart é um filme bonitinho, uma desconstrução solitária do eu, do final dos dias, assente num sempre competente Rami Malek. Mas no final, o que sobra em suposto engenho escasseia em suposta curiosidade. É preciso fazermos alguma coisa de facto, mas também é preciso o ímpeto. Que ficou lá, no meio de conspirações e inversões. 

terça-feira, 27 de junho de 2017

All that she wants


Muita coisa para ver, escrever e derreter no calor de The Bad Batch. Por isso temos que ser práticos, abotoados no essencial. Sem números, um dois três, o filme envolve e revolve. Nos primeiros minutos já estamos lá dentro, a caminho de nenhures, cheios de pó e desorientados. Depois de estabelecidos, movemos-nos ao sabor das batidas - Ace of Base, que delícia - numa espécie de disco do Apocalipse. De final esquecido e improvável. Numa estética tão pintas, tão cheia de estilo e identidade que apetece colar todos os planos daqueles calções na parede da sala. Já. E por último o elenco, um irónico encontro de náufragos. Uma festa-exílio, de esquecidos e mal tratados, liderada por uma novata, como se fosse ela luz de algum tipo de redenção. Como se fosse necessário salvar alguma coisa nesta pequena maravilha. 

domingo, 25 de junho de 2017

Os dois is


É sempre arriscado dizer que a terceira temporada de Fargo foi a minha favorita. Foi a minha favorita. Sendo então redundante estar aqui de mapa na mão, com longas indicações de poesia e genialidade. O início do episódio 4, Pedro e o Lobo, por exemplo. Ou o diálogo final, o frente a frente que cai na nossa própria resolução. Mas não queria ir embora sem dizer que esta série é a única que consegue - aqui nos ombros da inesquecível Carrie Coon - ilustrar a imbecilidade e a invisibilidade. Uma, consequência da outra. A solidão, a fechar o ramalhete, como desespero, como grito bem encarnado no meio daquele infinito imaculado. Viver rodeado de imbecis, incompetentes, intolerantes torna o ser desperto invisível. Fargo filma isso como mais ninguém.

Para todos os "time loopers" desta vida


Oh tempo volta pra trás. Sim senhor. E lá regressamos aos time loopers, aqueles eternos prazeres, com muito doce e pouca culpa. Blood Punch na calha, descoberto entre amigos, dá cá um conselho e a seguir dá outro. Nunca o tinha visto mais sangrento e que bela surpresa. Praticamente só com três atores, três desconhecidos, estabelece-se rapidamente na multidão, utilizando a falta de ferramentas sempre a seu favor. Elaborando um tom, nunca arriscando em demasia - podia nalguns momentos ter tentado - e sendo sempre fiel ao género dentro do género, às suas regras dentro das suas leis. Hilariante, violento e surpreendente, este pequenito vem do nada e fica na lista malta, fica de imediato na lista. 

Crítica aos últimos 5 minutos de "Fintar o Amor"


Apanhei os últimos 5 minutos de Fintar o Amor. Gostei muito. Primeiro porque foram só 5 minutos e segundo porque, lá está, foram só 5 minutos. Se apostarmos neste tipo de visionamentos, neste tipo de comédias romantolas, conseguimos sentir algum bem estar. O Gerald Butler está com cabelo à João Manzarra 2017. Estaciona, sai do caro e diz a uma criança, que deve ser o seu filho, que agora voltou de vez. Prometes? Diz o petiz. Sim, responde o canastrão. Entretanto aparece a Jessica Biel, que anuncia: afinal já não me vou casar (com outro gajo qualquer). Ai ai, andavam chateados não é? Mas onde é que o menino andou a enfiar a pilinha? Já está tudo bem. Riem muito os dois e a câmara pendurada no drone levanta. Ficam os três a brincar na relva e eu mudo de canal. Assim vale a pena.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Mas nós não interessamos nada


Falta-lhe porcaria. Baldes com esterco. Humidade. O desequilíbrio dá-lhe uma certa graça sim, um toque genuíno de série B. Para aqueles dias em que ser trapalhão até pode ser uma mais valia. Tudo muito claro e fácil, mas com um certo charme de espaço, de velho castelo assombrado. Mas falta esse âmago de violência suja, dos sentidos. É muito pipi, muito arranjadinho, plástico e plástico, a pensar em nós e nosso bem-estar. 

terça-feira, 20 de junho de 2017

E pus de parte toda a nostalgia


Raccord muito bom, logo ao início, quando transita dos milhões de anos para o há bocadinho. E aparece a vaca. A própria câmara parece querer dizer alguma coisa. Melhor, o próprio filme atrasa-se na tentativa, no tear narrativo das personagens. Forçado, teenager, levezinho. Claro. Mas ao menos há aqui uma brisa paterna, ou materna, que nos tenta levar. E a Ranger rosa, sim senhora. Go go, que o próximo já vejo no cinema. 

quarta-feira, 14 de junho de 2017

O Feiticeiro que é Oz


Andou aos trambolhões, mudou de nome, mudou de pasta, foi apagado, foi readquirido e finalmente foi devorado. Mil desculpas, para The Blackcoat´s Daughter, uma das pequenas maravilhas do ano. Para ficar sentado nos créditos, a preto e ao som, como em Personal Shopper. E se aqui não temos a liberdade nem o espaço para reinventar, somos por outro lado surpreendidos por uma eficácia gélida e prática. Uma desconstrução da mais simples das histórias, da amargura, que de outra forma não existiria mas que assim nos mantém sempre atrás, à distância, à procura de uma referência. Afinal era isso, bolas, sim senhor. Muito bem feitinho senhor Oz Perkins

Se já não estiver lá liguem que eu mando


Gostava muito de ter estes bonecos do Los Parecidos. Isto sim, mercadoria à antiga, para encontrar daqui a 50 anos numa venda de garagem. E quem ainda não viu, pode parar de ler e fazer-se à estrada. Ah mas não há em lado nenhum. Certo. Quer dizer, errado, Netflix, lá mesmo para o fundo, bem abaixo do outro refugo. Ele e seu irmão El Incidente, as duas gemas do retorcido e revigorante universo de Isaac Ezban.

Ninguém respeita os penteados


Se cruzarmos a Lei de Roberts - que diz que qualquer filme com a Julia em modo piruca ruiva de caracóis não pode ser alvo de reboot - com a Lei de Bacon - que diz que qualquer filme do Kevin com cabelo à Bon Jovi não pode ser alvo de reboot - com a Lei de Sutherland - que diz que qualquer filme do Kiefer com o cabelo um bocadinho menos redneck que no The Lost Boys mas ainda não normal não pode ser alvo de reboot - com a Lei de Baldwin - que diz que qualquer filme com o William, incluindo o Presa Fácil, não pode ser alvo de reboot - chegamos à conclusão que esta parvoíce é um enorme crime. Atentado. Morreste? Ai e tal agora vou eu, ai ai, e depois vou eu. Mas o que é isto? Um saltitão num festival de verão? Tenham respeito e vergonha, Flatliners, 1990, VHS, cabelos fodidos. O resto é dor de cabeça e fogo de artifício.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Se eu te tivesse visto


Não vi. Mas se por acaso tivesse visto We Are the Flesh chamar-lhe-ia instalação de arte. Como a própria construção, que se vai colando e juntando, caverna. Como me contaram, que eu não vi. Não ia estragar o meu domingo, com grandes planos de escrotos, orgias, canibalismo e cortes psicadélicos. Explícito, agri agri, sem um sentido de obra; o que se vai erguendo sucede e não conclui. Instalação, lá está. O meu amigo que viu, diz que o final é a gracinha, a piscar à crítica social, ao estado a que chegaram, ao México. Diz que é isso mas não chega, não cola. O meu amigo que viu ficou fodido. Ufa, safei-me de boa.

sábado, 10 de junho de 2017

Gadot no País das Maravilhas


Vamos começar pelas coisinhas boas? FIM. Estou a brincar. Ai que grande brincalhão eu, tonto. O grande ponto positivo de Wonder Woman é de facto Gal Gadot. Verdade que a maioria dos castings para estas ramboiadas de super-heróis acertam no ou na protagonista, mas aqui há quase uma aptidão nata. Uma orgânica, não só no facto de ela ser mesmo muito bonita - e o filme usa bem esse frame - mas de ter uma sinceridade e vontade contagiantes, como aquela gargalhada a subir a torre. Diverte-se, e isso ajuda a existir. Para além disso o filme consegue ter uma narrativa, contar uma história de forma regrada e estruturada. O que para estes orçamentos é missão cada vez mais escorregadia. Poucos buracos. Boas cenas de luta. E é isso. O resto é aquela leveza infantil de quem está a explicar o que faz no seu trabalho a uma criança de 5 anos. Assim devagar, a gesticular muito o maxilar, especialmente no início, digno das grandes produções novelescas da TVI. A Hipólita, a Antílope, tiros, lágrimas, vingança. O próprio vilão é daqueles truques que se vê cá de fora da sala, eu estava a jantar e já sabia quem era. A própria senda dela, a questão deus versus homem, que eu gostei, poderia e deveria ter sido rematada com outro ponto, e não com CGI, remédio santo para todas as dores. E isso tira vida. Por exemplo, as roupas das Amazonas cheiram a plástico no meio de todo aquele chroma key. Onde estão aqueles riachos e aquele crepitar das grandes fantasias? Perdidos, por aí. No final, sem cena escondida - obrigado! - fica o travo de um quase lá.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

A melhor série de televisão da década


Nunca antes se provaram tamanhas façanhas, tão elevados riscos. Em prol da criação, mais ou menos cristalina, mais ou menos sincera. Muita, muita coisa, a sair, agora, enquanto conversamos. Não podemos virar a cara ao laboratório vivo que hoje se instalou no pequeno écran. E dele, não devemos nunca esquecer The Leftovers. Projetar e perceber o seu impacto, as suas futuras lições nos quadros da escola, é um exercício apetecível mas inútil. Voltar a elogiá-lo, o mesmo, o mesmo. Resta aquele descabelado obrigado, com tudo na mão e os pássaros num frenesim. Estamos aqui, estamos aqui. 

Até ao fim


- Ontem vi este - nunca tinha ouvido falar dele. Nunca o tinha visto mais gordo, e o meu irmão lá o tirou da cartola, do colar infinito de pérolas. Sugestão atrás de sugestão. Especialista na matéria, conhecedor do género, agitei, cheirei e bochechei. Comprei a garrafa. Investimento seguro, sólido e sem grandes avarias. Não quer inventar, porém reinventando e rompendo, especialmente no campo da interpretação. Que dupla amigos. Relativamente desconhecidos, dirigidos por um estreante, emprestam, dão, vendem, morrem e renascem, vezes e vezes sem conta; uma espécie de prova a representar outra. Dois terços da fé, são eles. O que sobra somos nós, nossos lutos e anjos da guarda. Uma bela surpresinha.

sábado, 3 de junho de 2017

Reboots comigo


O Créditos Finais, anunciou, na passada quinta-feira, a produção de uma série de reboots portugueses de obras estrangeiras, com o intuito de dar visibilidade, não só à blogosfera, mas também a mim. Por isso é que são todos comigo.

Personal Blogger
Sou um Personal Blogger, escrevo os posts de malta famosa que não tem tempo para ter um blogue. Entretanto o blogue do meu irmão gémeo desaparece e eu começo a ver blogues que já foram apagados.

Mission: Impossible - Rogue Blogosphere
Sou um agente da blogosfera que tem de lutar contra uma instituição de sites que roubaram uma lista com o nome de todos os bloggers de cinema no ativo. Que obviamente ninguém sabe quem são.

Alien: Bloguenant
Uma nave só com bloggers deixa a terra para ir colonizar outro planeta que tem as condições ideais para a sobrevivência da blogosfera. Só que entretanto recebem um pedido de ajuda de um antigo blogue de arte urbana e vão ver o que se passa. Dá merda, Facemorfos e Sitemorfos com fartura.

Beauty and the Blogger
Mais uma vez, eu, amaldiçoado por pensar que o meu blogue é muito bom e fazer troça do Facebook. O tempo começa a contar e se não encontrar uma blogger de moda de unhas de gel e gelinho que leia um post meu, de livre vontade, fico para sempre aprisionado no Cinema SAPO Mag.

John Blogger: Chapter 2
Há uma sociedade secreta de bloggers cinéfilos que opera nas sombras. Nela o mais temido de todos, John Blogger. Desta vez não lhe apagam um post, pior, rebentam-lhe com o blogue todo. Alguém vai ter de pagar.  


quinta-feira, 1 de junho de 2017

Qual o ator criança que mais detestam?


Ou detestaram. Ou detestaram e ainda detestam. Não vale dizer Elijah Wood, demasiado fácil, e também não vamos chatear as 345 miúdas que fizeram de Annie. Eu, para despachar isto meto já aqui o elenco inteiro de The Little Rascals. Ah mas são crianças e eram os 90 e, pois está bem, levem lá com um bocadinho e depois não precisam de voltar a pedir desculpa.


domingo, 28 de maio de 2017

Idiotas com armas aos tiros


Estava a escrever e comecei logo a rir. Apetece esquecer minimamente a construção ou a repetição e cair no simplismo da dica apressada: vejam Free Fire. A rir, como os seus realizador e produtor, Ben Wheatley e Martin Scorsese, que falam da simplicidade e do "poder cinematográfico bruto de idiotas com armas". É isso: dois gangues que vão fazer uma troca de armas num armazém. Corre bem? Não, claro que não. E daí começa tudo aos tiros. É de mestre, tirar desta cartola um filme estupendo, mas é de facto. Despachado, diálogos hilariantes, grande pinta visual e interpretações tão energéticas que, a espaços, parece daquelas obras de infância, em que um grupo de malta, que gosta muito de cinema, se junta para fazer uma coisa. John Denver e o quebrar de parede final compõe um dos grandes ramalhetes do ano.

A extinção das aranhas


Às vezes, quando bate a saudade de um bom thriller, lembro-me de Shattered. Greta Scachi, Tom Berenger, um acidente, um gajo desfigurado. Um enleio. E talvez os apertos das prateleiras VHS lhe tenham dado um peso ainda maior, nesta minha cabecinha de puto encantado mas a verdade é que as teias se dissiparam. Onde estão estas obras simples de crime e mistério que nos davam a volta, ou que pelo menos tentavam. Onde estão? A resposta é Contratiempo, uma incrível surpresa aqui do lado, que usa o interrogatório como veículo para as histórias, confissões e suas versões. Muito com muito pouco. E pode não acertar sempre no alvo mas em toda a sua corrida emerge o desafio. Em prol do género, em prol das aranhas. 

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Os riscos da dieta vegetariana


Acho podia ficar a olhar para o poster o resto do dia. E Raw joga com isso. Com o inexplicável magnetismo da sua protagonista. Para além da cinematografia e da música, existe a carne que ela procura, nela mesma, fazendo os seus grandes olhos farol da nossa atenção. Reféns completos da figura, da sede, da fome. Incrível. Por outro lado a narrativa sofre em prol do sensorial, abdica e confunde, simplifica e atrapalha. Subtrai. E se somasse, talvez estivesse aqui das obras mais singulares de terror/transformação dos últimos anos.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

O feitiço do tempo, perdido


Ela é jovem. Ela é parva. E ela está presa no mesmo dia para sempre. Fixe. Ou melhor poderia ser, mas de facto é apenas bom engodo, o tal do peixinho guloso que afinal sabe a esferovite. Tentar dizer o que está mal com Before I Fall é quase tão inglório como tentar ensinar um aquecedor a falar. Infantil, mal editado, mal interpretado e refém de um preguiça estranha. É que já todos vimos liceus e premissas mais jovens bem fechadinhas, donas de uma simpatia natural. Aqui não, é tudo plástico, a própria narração da protagonista é desajustada à ação, é levarem-nos pela mão, mas a apertar muito. Para terminar no final mais fora de tom, e possivelmente traumático para quem estava a levar isto a sério, do ano que corre.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Descobrimentos


Amigos da xenomorfia, o que se segue contém bolinha e spoilers. Spoilers e bolinha. Por isso se estiverem com crianças ou quiserem ver Alien: Covenant virgens da silva o melhor é irem espreitar o Hollywood, está a acabar Os Três Mosqueteiros da Disney mas deve ir dar uma malha à altura. Ora bem, em relação a este último tomo no universo Alien, começo por dizer que carbonizar o James Franco nos primeiros minutos, sem lhe dar hipótese sequer de abrir a boca, é para mim, logo, uma estrela. Era ter o Seth Rogen ao lado e aos 10 minutos já íamos com duas. Uma maravilha ao nível do Santoro enterrado vivo no Lost. Depois desta "tragédia" seguimos então para a construção, viagem, da qual conhecíamos parte mas estávamos longe de visualizar o todo. Nisso o marketing aparentemente escancarado foi inteligente, guardando o mais importante para o dia. E se Scott respondeu às críticas, também as enfiou no cu desses nervosinhos insatisfeitos: a criatura acaba por ser o pretexto, o veículo da história de um outro "ser". Ele, a tentar ser, ele a ser o verdadeiro protagonista desta nova saga. David. É terror, ficção científica a todo o vapor, com todas as suas ferramentas para dizer e passar outra coisa. Sangue, tripas, queixos a voar, foda-se em qualquer outro lado já estávamos a levar com um Maiores de 12 há muito tempo. Eu não gostei do Prometheus mas reconheci a audácia e caí de beiços pela mitologia. Covenant corrige alguns problemas - ritmo, interpretações - conquistando outros claro, mas no final é um entretenimento que cumpre. Que tem uma ideia, e melhor, tem uma ideia que não era a nossa. Mostra-nos, para o bem e para o mal, uma oportunidade, um mundo novo, e nestes descobrimentos ganhamos sempre todos. 

Quem é esta menina?